quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Fotos

O mundo em que vivemos nos faz pensar que a fotografia é extremamente popular, a ponto de todo mundo ter sido fotografado. Mas ontem à noite, enquanto tirava algumas fotos de um evento de música de raiz, que está sendo realizado na Praça da Bandeira, chegou uma senhora, maltrapilha, e me puxou para junto de seus amigos e me pediu para tirar uma foto do grupo. Atendi o pedido. E, quando mostrei a foto na câmera, rindo, apontando, tirando sarro uns dos outros. Perguntei a eles se algum fotógrafo já tinha feito isso. E eles foram veementes na resposta:

 - NUNCA!

Agradeceram muito e em seguida foram embora. Às vezes, um gesto que para a gente é banal, pode alegrar, por alguns momentos, a vida de outras pessoas. Sei que, no mundo de hoje, é bem arriscado fazer tais gestos. Mas, no final, valeu a pena. Vou imprimir esta foto e espero encontrá-los de novo para presenteá-los com ela.


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Alimentando Para A Vida

Existe um projeto social, que distribui sopa gratuitamente para os necessitados, chamado Alimentando Para A Vida. Foi criado em 2003, e literalmente salva a pátria de muitas pessoas que, de outra forma, não teriam como fazer uma refeição noturna. De segunda à sexta, no final da tarde, eles estão lá no calçadão, no Centro.
Mais uma louvável e invisível iniciativa.




quarta-feira, 26 de agosto de 2015

É Brincadeira?

Alguns parques infantis em praças públicas da cidade de Campina Grande estão abandonados, sem manutenção, esquecidos, invisíveis.
Um dos exemplos mais tristes é o parque que fica na praça da Igreja do Rosário, na Prata. No local, funciona uma escola infantil e as crianças poderiam brincar lá. Mas, não há a mínima condição para isso.
O abandono dos parques é só uma das inúmeras provas de que as crianças não são prioridade do poder público, nesta pátria (des)educadora...



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Pregação

Cada pessoa deve ser livre para escolher o culto religioso que mais lhe agrade, e nunca deve ser recriminada por isso. Mas, esta mesma pessoa deve perceber que há limites ao tentar convencer os outros de que sua fé está correta. 
Não é nada agradável ouvir uma pregação religiosa (ou música, ou uma declamação de poesia, ou um discurso filosófico) à uns 90 decibéis no pé de seu ouvido. 
A fé deste pregador é admirável. Mas a sua maneira de tentar passar a mensagem para o próximo é detestável! Como se o centro da cidade já não fosse barulhento o suficiente...
Pobres dos clientes e funcionários das lojas próximas...



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Destruição e Reciclagem

Na rua Arrojado Lisboa, no Monte Santo, dois lados de nossa civilização podem ser testemunhados:
A destruição de uma parte de nossa arquitetura histórica, por causa do abandono e descaracterização de prédios antigos com imponentes fachadas, provavelmente do início do século passado.
E também, a seleção para reciclagem de uma grande quantidade de sucata, sobretudo metal.
Se, de um lado, é desesperador ver o descaso em relação ao nosso passado, por outro, é alentador ver passos, ainda que iniciais, para tentar deixar aos nossos filhos um mundo melhor.


Reciclagem

Destruição

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A Falta de Bom Senso

Muitos de nós, ao passarmos pelo Calçadão da Cardoso Vieira nos últimos dias, fomos agraciados por uma maravilhosa banda de forró, formada por mãe e três filhos, de 5, 12 e 16 anos. Eles vieram do Rio Grande do Norte e, em troca da maravilhosa apresentação, só queriam alguma ajuda, na forma de compra dos CD da banda ou de algum trocado, que poderia ser depositado numa urna destinada à esse fim. Eles até foram motivo de reportagem das redes de tv locais.
Infelizmente, sob a alegação de exploração de trabalho infantil, o Conselho Tutelar proibiu estas apresentações. Eles estavam ali, tocando por prazer, ao ponto de dizerem, em entrevistas para as televisões, que gostariam de seguir a carreira de músicos e se sentiram extremamente gratos pela chance que ganharam de tocar no Parque do Povo. A música é uma das linguagens mais ricas e complexas que podem existir e são muito poucas as crianças que tem acesso à este universo. Como pode então existir tamanha falta de bom senso? Como uma lei, e também a interpretação desta lei, ser feita de uma forma tão idiota? Meu pai, quando criança, ia para o trabalho de meu avô, ajudá-lo, e aprender um pouco do ofício de mecânica de locomotivas. Este certamente foi um dos motivos que despertaram o seu interesse em Engenharia.
Ao mesmo tempo, este mesmo Conselho Tutelar nada faz em relação às crianças que ficam se drogando e pedindo esmolas em pleno Parque do Povo (e também, pelas ruas da cidade). Estas crianças, ao contrário dos músicos aos quais me referi acima, tem pais ausentes, ou até mesmo nem os tem. Não estão na escola, dormem nas ruas (até mesmo aqueles que casa, mas pais ausentes). Estas é que deveriam ser a prioridade do Conselho. No entanto, parecem ser totalmente invisíveis para o poder público.

Cantora-mirim de forró

Banda de forró


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Medo

O fotógrafo de rua (na verdade qualquer fotógrafo que tenha que se deslocar com seu equipamento) aqui no Brasil, aqui em Campina Grande, tem que ter uma grande dose de coragem para sair com sua câmera pela cidade e registrar o que é de seu interesse. Todos os dias vemos na imprensa, e também presenciamos, diversos casos de violência, assaltos, roubos e furtos.
Então, ficamos num dilema. Precisamos sair às ruas para fotografar, mas ficamos com medo de perder nosso (valioso) equipamento. Há dias em que a vontade e a paixão pela Fotografia e a ânsia em mostrar o que Campina tem de invisível superam o medo. Há dias que o medo fala mais alto e ficamos em casa.
Aí eu me pergunto: É normal viver assim? É normal viver com medo? É normal ter que olhar para todos os lados antes de sair de casa, antes de tirar o carro da garagem? É normal viver em casas que mais parecem prisões, com grades, alarmes, cercas elétricas?
Não, não é! A gente se acostumou a isso...
E o que causa essa situação? Da impunidade à desigualdade social, passando pela falta de educação, há uma série de fatores. E mudar o quadro que está aí não vai ser nada, nada fácil... especialmente porque parece não haver vontade para isso...
A segurança, decididamente, está invisível em nossa cidade...

As cercas elétricas estão cada vez mais altas

Cerca elétrica e grampos metálicos. Proteções que muitas vezes
não intimidam os ladrões.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Trilhos do Esquecimento

A ferrovia é um dos sistemas de transporte mais eficientes que existe. Com a mesma quantidade de energia, um trem consegue transportar muito mais pessoas e carga do que carros e caminhões. Em cidades de médio e grande porte, como Campina Grande, um sistema de transporte urbano baseado em trilhos seria uma solução extremamente interessante. Nossa cidade possui trilhos passando por bairros como Bodocongó, Quarenta, Catolé e Distrito Industrial. Com um sistema inteligente de integração com ônibus, veículos leves sobre trilhos poderiam trazer um enorme alívio para o já sobrecarregado sistema de transporte coletivo da cidade. Isso sem falar na capacidade de mais uma possibilidade de interligação entre as cidades próximas, como Puxinanã e Galante, por exemplo. Levaria transporte para muitos moradores das regiões agrícolas próximas à Campina, que não têm acesso a nenhum tipo de transporte coletivo.
Porém, o que vemos é um total abandono, um total esquecimento dos trilhos por parte do poder público...
Revitalizar o sistema de transporte ferroviário talvez saísse caro. Mas certamente seria muito mais barato que qualquer outra solução para resolver os problemas de mobilidade urbana de Campina.

Linha férrea abandonada próxima ao Hospital da FAP, em Bodocongó. 

sábado, 18 de abril de 2015

"Beco da Merda"

Em uma dessas andanças pelo centro de Campina, entrei no beco que durante muito tempo foi conhecido como "Beco da Merda", pois era lá que muitos cidadãos campinenses, quando no centro da cidade, iam lá para, digamos, se aliviarem. Ainda bem que tal costume já não é tão comum no local. 
Para mim, o beco trouxe lembranças da infância, pois era lá que eu e meus amigos levávamos nossas bolas de couro furadas para consertar. Fiquei feliz em saber que o estabelecimento no qual fazíamos o serviço ainda existe, e com o mesmo dono. O beco se situa ao lado do Museu Histórico de Campina Grande, antigo Telegrapho Nacional. 
É interessante saber que o Beco vem resistindo à todas as tentativas de mudança através do tempo. Escapou até mesmo das grandes reformas feitas por Verginaud Wanderley no centro da cidade, nos anos 30...






segunda-feira, 6 de abril de 2015

Ruínas

Olhando as fotos abaixo, tem-se a impressão de que são de um sítio arqueológico. Mas na verdade são fotos de uma praça aqui de Campina Grande. a do Conjunto dos Professores. Há anos, os moradores da área reivindicam a restauração deste espaço público. Diversos prefeitos já prometeram a solução do problema. Mas até hoje, nada. Quando muito, são enviadas para o local equipes de limpeza. Mas com uma frequência tão baixa que muitos acabam pagando trabalhadores para limpar o terreno, ao menos na frente de suas casas...
À noite, o local costuma ser frequentado por usuários de drogas e assaltantes.
Este é apenas mais um caso da total ineficiência do poder público para resolver os problemas da cidade...

Restos de um caminho

Animais usam a praça como pasto

Restos da quadra poliesportiva

Era para ser um jardim

Restos da quadra de vôlei de praia

sexta-feira, 27 de março de 2015

Restauração

O Museu de Arte Assis Chateaubriand tem, no prédio da FURNE, no centro da cidade, um setor que é responsável por resgatar boa parte da história artística de nossa cidade. É o setor de restauração de obras de arte. Pinturas são detalhadamente restauradas, num trabalho extremamente meticuloso, que exige muita paciência e conhecimento.
Parabéns aos envolvidos por não deixar que uma parte importantíssima da cultura campinense não caia no esquecimento e na invisibilidade.




segunda-feira, 23 de março de 2015

Viajantes

Algumas pessoas escolhem, ou foram levadas, a viver suas vidas viajando pelo país, ou pelo mundo. Uns assumem como missão espalhar a palavra de Deus através da música. Outros, resolvem fazer de suas vidas uma verdadeira aventura, à bordo de um meio de transporte inusitado.
José Araújo, músico campinense, já viajou por 16 estados do Brasil para pregar, e também protestar contra a situação do país, usando sua música. Sua próxima viagem terá como destino o Rio de Janeiro. Ele já foi até São Paulo, de moto! Sebástian saiu da Colômbia, junto com um amigo, Daniel, num tuk-tuk, um carrinho de 3 rodas, para percorrer toda a América do Sul, numa viagem sem data para acabar. Está de passagem por Campina.
Ambos passam quase despercebidos por nossa cidade. Mas suas histórias merecem ser contadas. Afinal, foi esse espírito desbravador, aventureiro e destemido que deu origem à cidades como a nossa.

José Araújo e seu companheiro inseparável

José Araújo

Sebástian e seu tuk-tuk

Sebástian


quarta-feira, 18 de março de 2015

Pescador da Avenida Canal

Parei num semáforo na Avenida Canal, próximo à rua Campos Sales, quando me deparei com a cena abaixo. Um sujeito, ajoelhado na borda do poluído e fétido canal tentando pescar alguma coisa com um anzol improvisado. O que ele espera que saia vivo dali? Porque ele resolveu pescar num lugar tão insalubre? Será que ele pretende se alimentar do resultado da pesca? Infelizmente, não pude largar o carro e ir perguntar isso para ele. Mas, eu imagino que ninguém pescaria ali só por esporte...




quinta-feira, 12 de março de 2015

Para Refletir - Força de Vontade

São inúmeros os problemas que temos, em Campina Grande, e em boa parte do planeta. Muitos não tem acesso à moradia decente, à saúde, à educação. Muitos não sabem ao menos quando vão ter a sua própria refeição. Alguns, se acomodam. Mesmo sendo jovens e com força para trabalhar, preferem ficar nas calçadas ou nos semáforos, a pedir esmolas. Outros, partem para o caminho do crime. Praticando desde assaltos à tráfico de drogas, tentam conseguir pelo meio que consideram mais fácil tudo a que não tiveram acesso e muitas vezes com resultados terríveis.
Mas existem pessoas que, mesmo vivendo em condições difíceis, tentar, com a força de seu trabalho, conseguir algum dinheiro para elas mesmas e suas famílias. Jamais pensariam em praticar algum crime. Jamais pensariam em se apropriar do que pertence aos outros. Trabalham em condições insalubres. Mas estão ali, em sua luta diária.
Esses são os verdadeiros heróis invisíveis! Que um dia todas essas pessoas de boa índole e excelente disposição possam ter acesso a tudo o que um ser humano pode querer, que é uma vida digna.

Vendedor de amendoins trabalhando embaixo de um sol de rachar do verão campinense 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Lavador de Carros

João Paulo. Ex-cinegrafista e hoje sobrevive lavando carros por trás da Rodoviária Velha. As suas condições são tão precárias que ele ao menos tem um aspirador de pó para limpar o carpete dos automóveis. Usa uma escova e uns poucos baldes, velhos, para fazer o seu trabalho. Cobra 10 reais.
Os motivos pelos quais ele, que era descrito pelos colegas de profissão como imensamente talentoso, deixou a câmera de lado e foi lavar carros é algo que não nos compete saber. Mas, assim como ele, muitos lutam diariamente para se manter e permanecem invisíveis para a maioria das pessoas.

João Paulo

João Paulo e sua escova em ação

segunda-feira, 9 de março de 2015

Entregadores

Existem pequenos serviços que passam completamente despercebidos, mas que, sem os quais, muita coisa não funcionaria. Um exemplo é o desse vendedor e entregador de laranjas, abastecendo uma das lanchonetes do calçadão. Assim é com laranjas e com muitos outros produtos entregues por esses profissionais. Sem eles, nada de lanches, remédios ou artigos dos mais diversos.


segunda-feira, 2 de março de 2015

Pesagem

Eis um trabalho que passa quase despercebido. Existe, dentro de várias igrejas de várias religiões movimentos que tem como objetivo ajudar ao próximo. Um dos exemplos é a Pastoral da Criança, mantida por voluntários da Igreja Católica. Este movimento acompanha o desenvolvimento de dezenas de crianças em comunidades carentes, através de ações como visitas às famílias e reuniões mensais nos salões paroquiais, com orientações sobre nutrição, pesagem das crianças, distribuição de lanche e sorteio de artigos como cestas básicas.. No bairro do Santo Antônio, na igreja que tem o mesmo nome, tive a oportunidade de acompanhar a pesagem das crianças. E para felicidade dos envolvidos, não há nenhuma criança abaixo do peso.




quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Comunidade Invisível

Há muitos anos que frequento a zona rural de Campina Grande. Sempre passo por uma vila em Bodocongó, próxima ao Hospital da FAP, conhecida pelos seus moradores como Ruinha. Há muitos anos que esta comunidade parece ser invisível para todos os políticos, exceto em época de eleição.. Há muitos anos que nada é feito. E, se a situação já não é fácil, imagine agora, com a iminente chegada (será mesmo?) da estação chuvosa. Muita lama, misturada com o esgoto que é despejado nas ruas, muitos buracos, e, nas residências mais precárias, risco de desabamento... Quantos anos os moradores da Ruinha ainda terão que esperar ainda até que alguma providência seja tomada?





terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Arquitetura Peculiar

Devem ser raros os prédios no mundo que tem colunas de sustentação em Y. Aqui na cidade temos um deles. Na rua Semeão Leal, no Centro, este prédio comercial é sustentado por essas curiosas colunas. Se, esteticamente, elas podem dividir opiniões, deve-se reconhecer que tal obra de engenharia é no mínimo, ousada...


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Desenvolvimento (in)sustentável

Hoje me deparei com essa cena. Por causa de uma construção, uma árvore é detonada. Talvez por estar atrapalhando o andamento da obra. Talvez porque o projeto não preveja arvores em sua execução. Na maioria das construções que vemos pela cidade, não há a menor preocupação com a cobertura vegetal previamente existente. Será que realmente era necessário derrubar uma árvore que já estava ali há muito tempo? Será que o comodismo e a ânsia por maiores lucros não dão espaço para se pensar um pouco no pouco de natureza que ainda temos dentro de Campina Grande?
Infelizmente essa situação não é exclusividade de nossa cidade, de nosso estado, de nosso país...

Depois param para se perguntar porque o clima está mudando, porque as secas estão mais frequentes e a água mais rara...


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Sebo

"Escondido" no meio da praça Clementino Procópio, está um dos maiores sebos da cidade. De propriedade do Sr. Ronaldo, ele é, muitas vezes, a salvação de quem procura algum livro que já saiu de circulação, ou livros didáticos mais em conta. O seu gigantesco acervo inclui desde obras de ficção científica até literatura de cordel. Para quem gosta de ler, vale muito a pena fazer uma visita.







quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Vanzeiros

Existe um serviço sem o qual muitas pessoas, que moram nas pequenas cidades próximas à Campina Grande, assim como as mercadorias que elas compram, teriam muito mais dificuldades para chegar em casa. É o transporte alternativo fornecido pelos "vanzeiros" A maioria usa picapes fabricadas nos anos 70, 80 e início nos 90, extremamente confiáveis. Remígio, Lagoa Seca, Lagoa de Roça, São José da Mata, Areia e Massaranduba são algumas das cidades para as quais existe este tipo de transporte. O ponto de parada principal das vans fica nas ruas próximas à Rodoviária Velha, principalmente na rua Tavares Cavalcante. Lembrando que o serviço é autorizado pelos órgãos competentes.


Cícero, um dos vanzeiros, ao lado de sua van, que faz a rota Campina Grande - Remígio
Essa aguenta o tranco! Montadas é o seu destino

Van de saída para Matinhas

Van aguardando passageiros