quinta-feira, 18 de junho de 2015

A Falta de Bom Senso

Muitos de nós, ao passarmos pelo Calçadão da Cardoso Vieira nos últimos dias, fomos agraciados por uma maravilhosa banda de forró, formada por mãe e três filhos, de 5, 12 e 16 anos. Eles vieram do Rio Grande do Norte e, em troca da maravilhosa apresentação, só queriam alguma ajuda, na forma de compra dos CD da banda ou de algum trocado, que poderia ser depositado numa urna destinada à esse fim. Eles até foram motivo de reportagem das redes de tv locais.
Infelizmente, sob a alegação de exploração de trabalho infantil, o Conselho Tutelar proibiu estas apresentações. Eles estavam ali, tocando por prazer, ao ponto de dizerem, em entrevistas para as televisões, que gostariam de seguir a carreira de músicos e se sentiram extremamente gratos pela chance que ganharam de tocar no Parque do Povo. A música é uma das linguagens mais ricas e complexas que podem existir e são muito poucas as crianças que tem acesso à este universo. Como pode então existir tamanha falta de bom senso? Como uma lei, e também a interpretação desta lei, ser feita de uma forma tão idiota? Meu pai, quando criança, ia para o trabalho de meu avô, ajudá-lo, e aprender um pouco do ofício de mecânica de locomotivas. Este certamente foi um dos motivos que despertaram o seu interesse em Engenharia.
Ao mesmo tempo, este mesmo Conselho Tutelar nada faz em relação às crianças que ficam se drogando e pedindo esmolas em pleno Parque do Povo (e também, pelas ruas da cidade). Estas crianças, ao contrário dos músicos aos quais me referi acima, tem pais ausentes, ou até mesmo nem os tem. Não estão na escola, dormem nas ruas (até mesmo aqueles que casa, mas pais ausentes). Estas é que deveriam ser a prioridade do Conselho. No entanto, parecem ser totalmente invisíveis para o poder público.

Cantora-mirim de forró

Banda de forró


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Medo

O fotógrafo de rua (na verdade qualquer fotógrafo que tenha que se deslocar com seu equipamento) aqui no Brasil, aqui em Campina Grande, tem que ter uma grande dose de coragem para sair com sua câmera pela cidade e registrar o que é de seu interesse. Todos os dias vemos na imprensa, e também presenciamos, diversos casos de violência, assaltos, roubos e furtos.
Então, ficamos num dilema. Precisamos sair às ruas para fotografar, mas ficamos com medo de perder nosso (valioso) equipamento. Há dias em que a vontade e a paixão pela Fotografia e a ânsia em mostrar o que Campina tem de invisível superam o medo. Há dias que o medo fala mais alto e ficamos em casa.
Aí eu me pergunto: É normal viver assim? É normal viver com medo? É normal ter que olhar para todos os lados antes de sair de casa, antes de tirar o carro da garagem? É normal viver em casas que mais parecem prisões, com grades, alarmes, cercas elétricas?
Não, não é! A gente se acostumou a isso...
E o que causa essa situação? Da impunidade à desigualdade social, passando pela falta de educação, há uma série de fatores. E mudar o quadro que está aí não vai ser nada, nada fácil... especialmente porque parece não haver vontade para isso...
A segurança, decididamente, está invisível em nossa cidade...

As cercas elétricas estão cada vez mais altas

Cerca elétrica e grampos metálicos. Proteções que muitas vezes
não intimidam os ladrões.