sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Uma Campina Escondida

Quando pensamos em como se distribui a população no país, sempre vem à mente dois termos:

População urbana e população rural.

Mas, existe um limbo, tanto do ponto de vista, digamos, psicológico, quanto do ponto de vista administrativo, que atinge uma determinada parcela da população, que são os agricultores que moram em áreas a menos de 5km do centro da cidade. Eles moram perto o suficiente da cidade para, teoricamente, ter acesso às facilidades que esta oferece, tais como transporte público, ruas pavimentadas, escolas, abastecimento de água, entre outras. Mas na prática, isso não acontece.
E para piorar, eles também não são reconhecidos como agricultores, e, muitas vezes, são excluídos de programas governamentais de auxílio à agricultura.
Um dos locais onde esta realidade pode ser constatada de forma mais veemente é a localidade de Santo Isidro, que fica a pouco menos de 2 quilômetros do Hospital da FAP, no Bodocongó III. Lá, os moradores sofrem com a falta de água, sendo obrigados a construir cisternas para coletar a água das chuvas, mesmo com a rede de abastecimento tão próxima. Não existem ruas pavimentadas e a unidade de saúde básica mais próxima se situa no bairro dos Cuités. O Hospital da FAP não pode ser usado pela população da área para atendimento básico porque não se destina a esse fim. E quando o atendimento é de urgência, a situação piora, pois as ambulâncias do SAMU não vão até a área por causa das más condições das estradas. Pelo mesmo motivo, o transporte público não chega até lá e os menos afortunados tem que andar 2, 3 quilômetros, muitas vezes com crianças e carregando as compras. É uma das facetas mais invisíveis da cidade...

Aspecto da região de Santo Isidro

Cisterna para captação de água das (poucas) chuvas

Barreiro quase seco, com Campina Grande ao fundo

Uma das casas da região


Andréa, oradora da região de Santo Isidro

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